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Teatro cai no ENEM?

Tradicionalmente, aponta-se a Grécia como o berço do teatro ocidental. É com o intuito de teorizar acerca da tragédia grega, com ênfase de sua teorização no texto, que Aristóteles escreve sua célebre Poética. No século XVII, o classicismo francês retoma essa obra filosófica, mas de uma maneira bem radical, considerando sua interpretação da Poética uma regra absoluta da escrita dramática (uma espécie de manual). Também, iniciava-se ali uma concepção de teatro a que os teóricos chamam de textocentrismo: o texto dramático é entendido como o centro da representação teatral, ou seja, a cena é concebida em dependência ao texto escrito. Mas calma, o século XX já provou que utilizar um texto dramático para uma encenação teatral não é uma regra. E você, sabe o que é um texto dramático?

Trata-se de um gênero textual escrito para o teatro, ou seja, escrito para ser encenado. Ele é estudado tanto pela Literatura quanto pela Lingüística, além de outras disciplinas como a Sociologia. Esse gênero textual apresenta caráter dialógico (de diálogo) e sua estrutura é composta basicamente por diálogos e rubricas. Embora apresente características narrativas (personagens, passagem do tempo cronológico, conflito etc.), sua marca é trazer a ficção sem intermediários, ou seja, por meio dos próprios personagens e sem um narrador. Resulta disso a abundância das falas dos personagens. Já a rubrica apresenta várias funções, como descrever o cenário, a intenção dos atores, a progressão temporal, a movimentação cênica, entre outras.

Para além do saber, esse conhecimento pode ajudar a passar…

Observe a questão 130 do caderno amarelo do segundo dia de aplicação do ENEM 2016:

Lições de motim

DONA COTINHA – Só gosta de solidão quem nasceu pra ser solitário. Só o solitário gosta de solidão. Quem vive só e não gosta da solidão não é um solitário, é só um desacompanhado (A reflexão escorrega pro fundo da alma.) Solidão é vocação, besta de quem pensa que é sina. Por isso, tem de ser valorizada. E não é qualquer um que pode ser solitário, não. Ah, mas não é mesmo! É preciso ter competência para isso (De súbita, pedagógica, volta-se para o homem.) É como  poesia, sabe, moço? Tem de ser recitada em voz alta, que é pra gente sentir o gosto. (FAZ UMA PAUSA.) Você gosta de poesia? (O HOMEM TORNA A SE DEBATER. A VELHA INTERROMPE O DISCURSO E VOLTA A LHE DAR AS COSTAS,  COMO  SEMPRE,  IMPASSÍVEL.  O HOMEM, MAIS UMA VEZ, CANSADO, DESISTE.) Bem, como eu ia dizendo, pra viver bem com a solidão temos de ser proprietários dela e não inquilinos, me entende? Quem é inquilino da solidão não passa de um abandonado. É isso aí.

ZORZETTI, H. Lições de motim. Goiânia: Kelps, 2010 (adaptado) 

Nesse trecho, o que caracteriza Lições de motim como texto teatral?

A  O tom melancólico presente na cena.

B As perguntas retóricas da personagem.

C A interferência do narrador no desfecho da cena.

D  O uso de rubricas para construir a ação dramática.

E As analogias sobre a solidão feitas pela personagem.

A alternativa que melhor contempla esse fragmento de Lições de Motim é a D. Repare que, seguido do nome da personagem em negrito (Dona Cotinha), temos um travessão. Isso indica que se trata de uma fala dessa personagem (caráter dialógico do texto dramático). Ela conversa com um homem. Também, dentro dos parênteses, temos indicações de intenções, sentimentos e ações desempenhadas pelas personagens. Assim, estamos diante de um texto dramático, escrito para ser encenado, em que o uso de rubricas para construir a ação dramática é fundamental.

Continuem estudando!

PenseBem

Professor Grassi

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